Até ontem, o nosso adversário padrão era o bot “médio”. Ele jogava em torno de 1300, e o iniciante que tinha acabado de aprender as regras perdia logo a primeira partida: sem chance e sem entender por quê. E uma primeira partida perdida raramente dá vontade de jogar a segunda.
Por isso trocamos os três níveis, fácil, médio e difícil, por uma escada de nove bots de xadrez, de 400 a 2000+. Cada um tem nome, personalidade e um jeito próprio de errar.
Três níveis são três abismos
Entre o “fácil” e o “médio” havia quase 500 pontos de rating. Para um jogador de 700, é a diferença entre “ganho fácil” e “não entendo o que está acontecendo”. Evoluir de verdade é outra coisa: um adversário um pouco mais forte que você, você ganha mais ou menos metade das partidas e sobe um degrau.
Os nove bots ficam a cerca de 200 pontos um do outro, então em cada degrau tem alguém para jogar de igual para igual. O que muda em cada degrau de 800 a 1600 está neste artigo.
Conheça os nove rivais

Pip · 400Acabou de aprender a mexer as peças. Entrega uma peça mais ou menos a cada dez lances: o primeiro adversário perfeito se você aprendeu as regras ontem.

Hop · 600O adversário padrão. Rápido e animado: desenvolve as peças, mas vive caindo em garfos e cravadas.

Bea · 800Cuidadosa, de óculos redondos. Não entrega peça de graça, mas raramente vê tática além de um lance.

Rocky · 1000Um muro: posição sólida, raros erros graves. Uma armadilha só não basta, você precisa de um plano.

Vera · 1200Confiante e afiada: procura tática por conta própria e pune peças desprotegidas.

Max · 1400Um jogador de clube malandro. Conhece as aberturas e raramente erra, então o erro dele precisa ser conquistado.

Iron · 1600Veterano cheio de cicatrizes. Calcula mais fundo, aperta posicionalmente, erra feio no máximo uma vez a cada algumas partidas.

The Professor · 1800Um velho bispo sábio. Joga como um jogador de clube forte: ainda calcula errado, mas você tem que forçar.

Zug · 2000+A lenda. Quase nunca erra, e vencê-lo já merece um print.
Os bots erram como gente
Fazer um bot fraco é fácil: basta deixá-lo jogar um lance aleatório de vez em quando. Mas ninguém joga assim. Um iniciante não entrega a dama à toa, nem passa reto por uma peça pendurada bem na frente dele.
Os nossos bots erram de outro jeito: caem em táticas. Não veem garfos, cravadas, ataques descobertos e lances intermediários, exatamente o que faz jogadores abaixo de 1600 perderem partidas. Com menos frequência, não percebem que a própria peça está sendo atacada. O que quase nunca fazem é deixar uma peça pendurada à toa ou perder a dama. Colocamos os bots para jogar dezenas de partidas entre si no motor para conferir: o Pip comete um erro sério mais ou menos a cada dez lances, a Bea a cada trinta e poucos, e o Zug quase nunca.
Mais um detalhe que dá para notar já na terceira partida: as aberturas ficaram mais variadas. O bot lembra como respondeu a você antes e não repete sempre a mesma linha.
Se tática é o seu ponto fraco, comece por Garfo, cravada e espeto: são exatamente os truques em que os nossos bots caem, e você também.
Com quem começar
Por padrão, o Hop (600) está esperando por você. Ganhou dele algumas vezes seguidas? Passe para a Bea. Perdeu três seguidas? Desça um degrau, sem vergonha nenhuma: contra um adversário do seu nível você aprende mais rápido do que contra um imbatível.
O adversário é escolhido na coluna da direita, logo acima dos botões de Nova partida; um clique abre uma grade com nove retratos. No celular, fica nas configurações, no ícone de engrenagem. Se trocar de bot no meio da partida, o novo entra a partir da próxima.
Nove degraus são nove pequenas vitórias. Comece pelo Hop e veja onde você para.
